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Sorvetes: Conceito e Classificação brasileira

Acho que esse é o primeiro post mais técnico que publico aqui.

A polícia da gastronomia anda tão chata que olha, vou confessar uma coisa: fica quase chato falar sobre determinados assuntos – parece que você tem que ter doutorado em comida pra falar sobre o tema.

Chequei os registros e vi que esse espaço ainda é meu, boleto tá ok, hospedagem tá ok, então vamos retomar os trabalhos com uma de minhas sobremesas preferidas: ♥ SORVETE ♥

E óbvio: na sequência desse post, entra uma receita de sorvete simples – mas com acompanhamentos irresistíveis. Então continua comigo por aqui, que tem muita coisa pra ser dita sobre esse tema!

Conceito de Sorvete:

A classificação de sorvetes, no mundo, leva em consideração várias coisas, e o conceito pode variar de país para país. A definição do mestre Angelo Corvitto é a de que “sorvete é uma mistura de ingredientes líquidos que se torna cremosa a partir de sua agitação e resfriamento” (The Secrets of ice cream – Ice cream without secrets).

No Brasil, também temos regulamentação – e se você um dia for trabalhar com isso profissionalmente, é essencial estudar todas as normas sobre o tema, ou melhor: as normas sobre Gelados Comestíveis.

Já adianto que são muitas… vão desde boas práticas de fabricação até aditivos que podem ser utilizados levando em consideração o Mercosul – o que sobra de lei, no Brasil, falta de clareza pra explicar para o consumidor final. É mesmo terrível.

Uma das Portarias do Ministério da Saúde estabelece o conceito de Gelados Comestíveis: produtos alimentícios obtidos a partir de uma emulsão de gorduras e proteínas, com ou sem adição de outros ingredientes e substâncias, ou de uma mistura de água, açúcares e outros ingredientes e substâncias que tenham sido submetidas ao congelamento, em condições que garantam a conservação do produto no estado congelado ou parcialmente congelado, durante a armazenagem, o transporte e a entrega ao consumo.

A chave é entender que um gelado é uma mistura, seja ela simples (água, açúcar e suco, por ex.) ou uma emulsão. Emulsão? É uma mistura de substâncias que geralmente não se combinam (água e óleo, por ex.), mas como foram submetidas a ação mecânica (uma bela agitação), acabam se “juntando” e formando a emulsão!

Classificação dos Sorvetes:

Além do conceito, temos 2 tipos de classificação de Gelados Comestíveis. Uma leva em consideração os ingredientes utilizados, a outra leva em consideração a forma de apresentação.

De acordo com os ingredientes utilizados, comercialmente podemos ter: sorvete de creme, sorvete de leite, sorvete, sherbet, sorbet e gelado.

Já em relação à forma de apresentação, temos basicamente sorvetes de massa (ou cremosos), picolés e produtos especiais gelados.

Diferentes tipologias e ingredientes vão exigir um diferente balanceamento (ou calibragem, como muitos chamam). Vamos falar sobre balanceamento mais à frente.

Classificação de Angelo Corvitto:

Achou que a classificação brasileira é grande? Pois a classificação “simples” do Angelo Corvitto leva em consideração 16 (sim, dezesseis) famílias de sorvete:

  • cremosos com base branca;
  • cremosos com gema;
  • sorbets de fruta;
  • cremosos com iogurte;
  • cremosos com chocolate;
  • cremosos com oleaginosas;
  • cremosos com frutas & frutas cítricas;
  • cremosos com chá e especiarias;
  • sorbets com chá e especiarias;
  • cremosos com bebida alcoólica;
  • sorbets com bebida alcoólica;
  • sorbets de fruta com cava (espumante);
  • cremosos salgados;
  • sorbets salgados;
  • cremosos diet;
  • sorbets diet;

Fora toda a polêmica que existe sobre misturas prontas, pós preparados e bases prontas, tenho a dizer o seguinte: fazer um sorvete simples, em sua casa, não é um bicho de 7 cabeças.

sorvete de baunilha com café expresso (affogato)

Produção Comercial de Sorvetes:

Comercialmente, fazer um sorvete de excelente qualidade é mais complexo porque estamos trabalhando com questões como temperatura em prateleira, tipo de produto a ser fabricado, facilidade (ou dificuldade) na obtenção de bons ingredientes, estabilidade do produto, manipulação, preferências do consumidor, dentre outras questões técnicas.

Além disso, também é preciso pensar em boas práticas de fabricação no âmbito de uma produção industrial e não doméstica, frescor, embalagens, rotulagem, oferta ao consumidor, origem dos ingredientes, ou seja: não é para desencorajar, mas investir nesse ramo requer muito estudo prévio, muitos testes e um certo domínio do tema, além de acompanhamento nas demais áreas (nutricionistas, contador, comprador, advogado – cozinhar é importante, mas temos um viés técnico administrativo que não pode ser desconsiderado).

Sobre a parte técnico gastronômica, um dos aspectos fundamentais é o balanceamento de receitas.

Balanceamento de Receitas:

Sim, receitas de sorvete tem que ser balanceadas. E o que é isso? Significa adequar o teu preparo tanto à lei quanto às variáveis, que podem envolver desde a sua matéria-prima, quantidade e origem dos açúcares, quantidade e origem das gorduras, quantidade e origem das proteínas, velocidade de congelamento, incorporação de ar, equipamento.

em processo: sorvete de nocciola (avelã)

Sim, qual o equipamento utilizado para o batimento/congelamento: sorveteira doméstica Cuisinart? sorveteira doméstica Tramontina? Carpigiani? Pacojet? Nitrogênio Líquido?

Além disso, como o sorvete será servido? Em uma sorveteria comercial? Em um restaurante? Se num restaurante, em qual momento da refeição – ele deve ser encarado como um amuse bouche, um avant dessert, vem para limpar o paladar entre pratos ou é o ponto alto da sobremesa?

Nesse ponto da leitura você já está assim: “mas eu só queria um sorvetinho…”

E haja variável sobre o assunto. Hoje, no Brasil, em termos de boas produções, temos situações distintas: vários restaurantes (principalmente no que ainda conhecemos como alta gastronomia) têm investido cada vez mais em equipamentos e técnicas, “em busca da quenelle perfeita”, o balanceamento perfeito e a foto mais instagramável.

Cortesia: sorvete de nocciola do @projetojantar

Além disso, algumas boas sorveterias estão cada vez mais preocupadas com a origem dos ingredientes e o produto final que está sendo oferecido para os consumidores.

Sorveteria do Centro – SP

Conclusão:

Importante: muito embora os ingredientes sejam diferentes, todas as categorias – seja um sorbet, sorvete de creme ou sorvete – devem apresentar o mesmo nível técnico de qualidade: textura, quantidade de ar incorporado e se manter estáveis em uma mesma temperatura de serviço.

Finalizando o post com uma curiosidade: vocês conhecem sorvetes “salgados”? Na foto seguinte, um dos meus testes: sorvete de gorgonzola! A verdade é que é possível transformar tudo o que se come em um sorvete – com o balanceamento certo e bom senso, tudo é possível. ♥

sorvete de gorgonzola

Se interessou pelo assunto ou precisa escrever sobre isso? Pode me enviar um email (falecom@cozinhologoexisto.com).

Gostou do artigo? Não esqueça de citar a referência, atenção às regras de plágio e propriedade intelectual: não autorizo a reprodução de qualquer conteúdo deste site sem autorização por escrito.

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Como fazer Granola Caseira sem açúcar

Postei outro dia no instagram uma Granola que fiz aqui em casa – sem qualquer tipo de açúcar refinado! Como ela fez sucesso, resolvi compartilhar por aqui!

Juro, não usei nada que os fabricantes tradicionais usam: açúcar mascavo, de coco, mel, melado, agave, demerara… nadica.

A ideia é deixar um sabor bem pronunciado e adocicar naturalmente. ♥

Para isso, usei pouquíssimos ingredientes:

  • aveia sem glúten
  • banana
  • canela
  • óleo de coco
  • água
  • flor de sal.

É isso. 5 ingredientes e só! Para fazer, precisa ter paciência, mas mais natural do que isso, impossível!

Assim, a banana vai caramelizar naturalmente enquanto seca no forno, e ficará dourada e caramelizada, beeem maravilhosa! ♥

Granola Caseira sem açúcar

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Cooking Time: 3 horas

Ingredients

  • 200 gramas de aveia em flocos grossos
  • 4 bananas prata
  • 30 gramas de óleo de coco
  • 150 ml de água
  • 1 colher de chá de canela em pó
  • 1/2 colher de café de flor de sal

Instructions

1

Ligue o forno a 120 graus (ou deixe a porta entreaberta com o auxílio de uma colher de pau)

2

Em um liquidificador, bata as bananas, água, óleo de coco e canela até obter um creme.

3

Misture a aveia com o creme de banana e tempere com flor de sal.

4

Leve ao forno em assadeira rasa com uma folha de papel manteiga (ou alumínio untado com óleo de coco).

5

A cada meia hora dê uma mexida na aveia: ela vai começar a secar, mas o processo é demorado (pode levar até mais de 3 horas!).

6

Faça o teste retirando um pedacinho e deixando esfriar: se estiver crocante, está pronto.

7

Deixe a mistura esfriar completamente antes de guardar em pote bem vedado.

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Dulce de Leche: como fazer doce de leite argentino

Já comi muito doce de leite bom, mas essa receita entrou na categoria dos melhores da vida. 

Estava pesquisando doces de leite para uma sobremesa que ia fazer no Projeto Jantar.

Doce de leite, né? Não tinha o que inventar.

Pois fui no mercado e encontrei o mundo dos doces de leite: mais claro, mais doce, menos doce, grumoso, lisinho, firme, macio, pastoso… queria tudo, e não queria nada. Pois é: não consegui decidir.

Não consegui decidir e resolvi complicar. Já que era pra encontrar um doce de leite maravilhoso, resolvi fazer o meu. Do começo. E doce de leite é… doce de leite, oras! Não dá pra inventar a roda nesse tipo de receita. Seria simples, muito simples…

A referência que eu tinha em receitas de doce de leite era: 5 litros de leite, 2 quilos de açúcar e um botijão de gás inteiro. Foi quase isso!

Mas dulce de leche, Manu? 

Pois é. Logo eu, que cresci comendo doce de leite de vó, nunca tinha feito o meu. Fui pesquisar e me deparei com uma matéria antiga sobre doces de leite – e a receita maravilhosa da Paola Carosella estava lá, praticamente me esperando:

Bingo!

A foto me seduziu: era lindo, estava num pratinho de avó e ela dizia que a receita já tinha sido muito criticada por não ser tão firme quanto outros doces de leite. Eu não sei vocês, mas AMO fazer “receitas injustiçadas”, aquelas que todo mundo critica… 

Escuro, brilhoso, cremoso – um pouco mais líquido que a maioria das receitas, ok – era ele.

É absolutamente delicioso.

Importante: deixe esfriar antes de comer. Parece besteira, mas quando vocês fizerem vão lembrar de mim.

Façam. FAÇAM.

Dulce de Leche (Doce de leite argentino)

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Serves: 1 Cooking Time: 6 horas

Ingredients

  • 2 litros de leite gordo
  • 1 kg de açúcar
  • 1/2 fava de baunilha
  • 1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

Instructions

1

Pegue a melhor panela que você tiver: ela deve ser pesada, de fundo grosso, de preferência de ferro ou de aço inox.

2

Coloque todos os ingredientes na panela e misture bem com uma colher de pau.

3

Coloque um pequeno pires de café invertido no fundo da panela: ele vai se mexer enquanto a mistura ferve, e impedir que o doce grude.

4

Leve a mistura ao fogo até ferver.

5

Assim que ferver, baixe a chama para o mínimo: se continuar muito alta, faça um degrau com as grades do fogão: você não quer que o doce fique borbulhando loucamente, é mais para um calor contínuo e baixo.

6

Cozinhe por aproximadamente 5 horas - ou até atingir o ponto desejado.

7

Você vai saber quando está pronto: a cor fica linda, a textura muda, é maravilhoso.

Notes

Enquanto cozinha, retire com cuidado - suavemente a espuma que se forma na panela.

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Como fazer Sourdough

(Se você acompanha o instagram (@cozinhologoexisto), tem visto cada vez mais fotos e posts sobre pães de fermentacão natural – feitos com levain que posto por la.)

Finalmente, o passo a passo para fazer pao de fermentacao natural, estilo sourdough!

A minha receita funciona SE você já possuir um levain e souber como utilizar. Não tenho post (ainda) ensinando a fazer. Para isso indico a hashtag #levaineide criada pela Neide Rigo, do excelente blog Come-se. 

Para aqueles que tiverem curiosidade, já adianto algo sobre o meu: ele fica bem liquido. Alimento com 50% trigo branco e 50% água filtrada. Geralmente ele fica no ápice 4 horas depois de ser alimentado. E com ele bombando, faço meus pães – todos.

Demorei 1 ano pra fazer um pão ok. Como tudo, pão é processo, calma, paciência, umas queimaduras e uma aliens.  -Vaaaarias vezes a padeira aqui não cortou a massa antes de assar (FAZ PARTE). 
E tá tudo bem, não sou especialista. MAS gosto tanto de fazer e de comer pão que vou sim continuar fazendo, é MUITO DAORA.

A receita é dividida em várias partes, e demora. Se você não tiver tempo, paciência, saco, não desperdice farinha. #sincericidio #falomesmo


SOURDOUGH DA MANU

INGREDIENTES E MISTURA INICIAL

  • 100g levain
  • 200 agua
  • 400 trigo

Misturar levain e agua, adicionar a farinha e misturar tudo com as maos ou com o gancho da batedeira ate ficar bem homogeneo. Deixar dentro de um pote de plastico grande com tampa e aguardar 50 minutos.

Na sequencia, adicionar:

  • 10g sal
  • 15g agua

Adicione e aperte bem a massa entre os dedos (aperta #realoficial, parece que vai dar ruim mas fica tudo bem, acredita)! Aperte com vontade e sem medo.

Misturou? Tampe e prepara o cronômetro (vc vai ficar 4h e meia em função do pão):

PRIMEIRAS 2 HORAS:

Com as maos levemente umedecidas, dobre a massa em cima dela mesma, puxando as pontas e encostando do outro lado (repita nas 4 pontas), como se fosse um envelope.
Repita de 30/30 min ate dar 2 horas.

PROXIMAS 2 HORAS: 

Repita o processo acima, de 1/1 h ate completar 2h.

DESCANSO: 


Enfarinhe a bancada, abra a massa com as mãos e dobre em cima dela mesma: nas pontas de cima eu faço um triangulo, dai vou comprimindo ela, fazendo um rolo e apertando as extremidades pra dentro, até fechar e formar uma especie de bola. 
Boleie levemente e deixe na bancada por 30 minutos.

MODELAGEM:

A pior parte de descrever – videos ajudam mais. Basicamente eu abro a massa descansada e repito o processo acima, em seguida coloco dentro do banneton com a parte lisa pra baixo.

Uma vez no bannetton (ultima dobra pra cima), leve pra geladeira coberto com um pano limpo por 12 horas.

COZIMENTO:

Retire o bannetton da geladeira.

Aqueça o forno a 250 graus, com panela de ferro e tampa por 1 HORA.
No caso do seu forno ser sem controle de temperatura, ligue no maximo e deixe bombando uma hora e meia.

Recorte um quadrado de papel manteiga (Dover assa facil é THE BEST).

Vire o pão no papel, faça o corte, coloque com cuidado na panela NAO VA SE QUEIMAR PELOAMOR, dê uma espirrada de água e tampe: asse 20 min com tampa e aproximadamente 20 min sem tampa ou até ficar bronzeadíssimo.

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Brownie com castanhas e frutas vermelhas

Brownie é o tipo de sobremesa que deixa qualquer pessoa feliz (eu fico, amo uma fatia com café espresso).

Já comi de vários tipos: mais cremoso, mais seco, com e sem nuts… ô trabalho difícil experimentar brownie!

Com tanta experiência, resolvi fazer uma versão pra chamar de minha. Por isso, juntei coisas que gosto: frutas ácidas e castanhas!

Para harmonizar os sabores, fiz essa versão com frutas vermelhas e castanhas. Minha preferida leva castanha de caju e cereja, mas esse da foto foi feito com castanha do pará e mirtilo (blueberry): ficou incrível também!

Assim que saem do forno, as frutas assadas mesclam doce e azedinho, se juntam com a gordura do chocolate amargo e explodem na boca, junto com o crocante das castanhas!

Além disso, o que dizer do chocolate? O interior, bem denso e molhadinho, é bom pra caramba. Aqui vale usar um chocolate 70% de cacau, o sabor fica bem diferente.

Optei por não picar tanto as castanhas e acabei salpicando por cima. Acho que ele fica mais gostoso se elas entrarem na massa em pedaços menores – e no meio, fica mais distribuído:

Brownie de castanhas e frutas vermelhas

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Serves: 8 Cooking Time: 1 hora

Ingredients

  • 100 gramas de manteiga (ou ghee)
  • 100 gramas de chocolate amargo
  • 1 xícara de açúcar demerara
  • 3 ovos
  • ½ xícara de farinha de trigo (ou mix sem glúten)
  • ½ xícara de blueberries, framboesas ou cerejas (sem caroço)
  • ¼ de xícara de castanhas/nuts bem picadas (ex.: castanha do pará, caju, pistache, macadâmia...)

Instructions

1

Aqueça o forno a 170 graus.

2

Em um bowl, derreta a manteiga com o chocolate e misture bem (não leve o chocolate diretamente ao fogo).

3

Adicione o açúcar e em seguida os ovos, um a um, batendo bem a cada adição.

4

Adicione a farinha de trigo e bata vigorosamente, para que a massa fique bem uniforme.

5

Despeje a mistura em uma forma untada ou forrada com papel manteiga e distribua as frutas e as castanhas.

6

Asse por aproximadamente 30 minutos – o interior ainda deverá estar úmido ao inserir um palito.

Notes

- usar açúcar mascavo ou açúcar de coco nessa receita vai modificar muito o sabor; - caso você queira usar açúcar de coco, substitua as castanhas por lascas de coco fresco - a receita vai ficar completamente diferente, mas vai ficar incrível e quase um prestígio cremoso com frutas vermelhas.

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4 receitas rápidas com aveia

A procura por receitas com aveia cresceu tanto aqui no site que resolvi fazer um post com minhas 4 receitas preferidas!

Sobre aveia e glúten:

Tradicionalmente, a aveia não possui glúten, mas como costuma ser processada em locais onde ocorre o processamento de grãos/ingredientes que contém glúten (como o trigo, por exemplo), considera-se, por questões de segurança, que ela contém glúten em razão da contaminação cruzada.

Nada com o que se preocupar – exceto se você possuir doença celíaca. Nesse caso, recomendo que procure uma Aveia certificada sem glúten, como a da Monama. Entrei em contato com a Monama e eles me explicaram que a aveia que eles comercializam é fabricada fora do país, e o produtor somente planta, colhe e processa aveia – sem risco da chamada contaminação cruzada!

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Bolo de Banana – e as 5 pessoas.

O bolo da foto é um “banana sticky upside down cake” – bolo de banana caramelado de cabeça pra baixo. A calda entra na massa do bolo e ele fica assim, molhado e carameloso.

Sabe aqueles bolos tradiças que as nossas mães faziam, caramelizando a forma na boca do fogão – o que deixava a casa toda com cheiro de calda de pudim?

Pois eu acho calda de pudim uma coisa muito boa. Pode fazer a gente viajar um pouco – seja no tempo, seja no pensamento.

Olhando o caramelo brilhoso e dourado, lembrei de quantas vezes já errei bolo, pudim e caramelo desde que comecei a cozinhar, e como agora é raro “dar ruim”. 

Quanto mais a gente se permite errar, mais a gente pode acertar.

Também me lembrei da palestra da Nuta, do GWS (projeto fantástico, vale a visita gente, só clica). Ela lembrou que a gente é a soma das 5 pessoas com quem a gente mais convive.

Forte isso, né? Pra fazer a gente se perguntar – eu gosto das pessoas com quem convivo? Gosto da forma como elas interagem, me tratam, aceito, me encaixo?

Essas pessoas me colocam pra cima ou pra baixo? E o que eu não gosto no outro, eu faço igual? Será que sem perceber, a gente se torna parte de uma dinâmica com a qual não concorda?

Acho que sim, isso pode acontecer – até por uma questão de sobrevivência. E daí eu te pergunto: a você, tem sido permitido errar? Tem sido permitido errar pra poder acertar? VOCÊ tem se permitido?

Escolha bem as suas 5. 

E queime meia dúzia de caramelos por aí.

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Restaurante Corrutela (onde comer em SP)

É muito chato um cozinheiro que fica criticando a comida do outro.

Eu sou cozinheira porque eu GOSTO de comer.

Escrevo sobre comida porque acho que é o assunto mais legal de todos. Comida é pra unir e agregar, não ficar de palhaçada.

Quando eu sento pra escrever, TEM que ser coisa boa sobre coisas boas.

Deus me livre perder meu tempo (e fazer vocês perderem o de vocês) escrevendo coisa ruim sobre coisa ruim.

Falar mal é feio. É cafona.

Então fica combinado assim: no Cozinho, logo Existo não se fala mal do trabalho de outros cozinheiros (até pq tá todo mundo aí se esforçando pra sobreviver nesse mundão). Esse espaço serve pra gente falar só de maravilhosidades. ♥

Estive em SP recentemente – e seguindo uma dica de amigos queridos, fui visitar o Corrutela, restaurante simpático e novo na vila madalena.

Fiz minha reserva por um link no perfil do instagram e deu super certo, a mensagem de confirmação chegou em segundos. Amo quando a tecnologia funciona! ♥

O serviço é cool, simpático, ninguém fica em cima do cliente.

Aliás, fiquei super à vontade no restaurante. Fui sozinha, sentei na mesa da cozinha pra ver o movimento e a galera da cozinha não me encarou – exceto quando comecei a raspar os pratos com pão, quando recebi uns sorrisos simpáticos.

Falei o que ia pedir e acabamos decidindo um Riesling da Grove Mill, uma vinícola sustentável da Nova Zelândia.

Bingo! Ficou lindo com os pratos. Tão, tão bom.

Pedi 3 entradas, nessa ordem: hummus de beterraba amarela, carne crua e berinjela com iogurte de kefir.

Hommus de beterraba amarela, manga salgada e quinoa. ♥

Carne com emulsão de ovo pochê e trigo crocante.

Berinjela assada, coalhada de kefir, maçã e rabanete.

Esse prato tinha todos os sabores que eu mais gosto – torçam pra ela ainda estar no cardápio. Foi aquele prato que deu dó de acabar. Comeria mais um, se já não tivesse dado conta de 3 entradas.

O restaurante tem uma pegada sustentável forte e trabalha com conceitos com os quais eu me identifico bastante. Tem uma composteira no meio do restaurante ♥, o preço é acessível de verdade, e no moinho do restaurante é moído o trigo que vira esse pão delicioso aqui:

Uma palavra: VÃO.

 

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Os melhores cafés do Rio de janeiro

Sempre que visito cidades novas, fico com vontade de descobrir os lugares mais fofos, aqueles lugarzinhos que os locais frequentam! Esse post e de utilidade pública pra você, do rio de janeiro e pra você, que vem visitar a gente! ♥

Pazos Espresso Bar

Claro que ele ta no topo da listinha!

Café sempre – eu disse sempre – fresco, de excelente qualidade, tirado com perfeição. O ambiente e dos mais legais, da pra sentar no balcão e bater papo com o Augusto enquanto ele tira o cafe – e de quebra ainda aprender uma coisinha ou outra sobre todo o processo!

Dica: Vá com tempo e aproveite.

Espresso, cappuccino (o carro chefe) e coados, todos incríveis e acompanhados de coisas gostosas produzidas por mim! Cada semana temos novidades, então e sempre bom passar la e perguntar sobre o cardápio da semana. ♥

Avenida Ayrton Senna, 5500 – Bloco 12 – Barra

3ª a domingo, das 9h às 21h

Curto Café

Perfeito pra quem trabalha no Centro – e pra quem esta de passagem. Fica no edifício menezes cortes (garagem) e tem um esquema bem simpático de pagamento/cobranca.

É quase um self service, você se vira e decide o quanto vai pagar.  ♥ bons tempos – tambem vendem paes bem bons!

Rua São José, 35 – Sobreloja LQ47 – Terminal e Ed. Garagem Menezes Cortes – Centro (2ª a 6ª, das 8h às 20h.)

Sofá Café

A  localização e super turistica, fica bem atras do Copacabana Palace! Cheinho de opções de cafés, métodos e lanchinhos gostosos, não da vontade de sair de la – muito aconchegante. fiquei apaixonada pelas xícaras – não queimam a mao e deixam o cafe quentinho.

Avenida Nossa Sra. de Copacabana, 300 – Copacabana (2ª a sábado, das 8h às 21h.)

Café Secreto

Saia na estação do metro Largo do machado e procure pela rua Gago Coutinho. Ali, no numero 6, casa 8 fica uma cafeteria mega charmosa, cheia de plantas e com 2 coisas viciantes – pao de queijo e culito – um bolinho de coco.

Rua Gago Coutinho, 6 – Casa 8 – Catete (2ª a 6ª, das 10h às 18h)

 

 

Certamente deixei de falar de vários – esse post ja nasceu pedindo a parte 2! ♥

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Projeto Jantar – Dia dos Namorados

Muita gente já sabe porque acompanha o site nas redes sociais (alô, instagram! – @cozinhologoexisto) mas tenho um projeto com o chef Bruno Hamad (insta: @brunohamad), que chama Projeto Jantar.

Pra saber mais sobre ele, tem uma aba aqui em cima que chama “serviços” – “projeto jantar”. É um trabalho bem incrível, conectamos pessoas através da comida – e é feito de forma itinerante, sem edições fixas. Basicamente, somos duas pessoas apaixonadas por gastronomia, com experiência em restaurantes incríveis e que mais do que cozinhar, amam receber bem! ♥

Já fizemos edições no RJ e em SP, até dentro da The Slow Bakery o Projeto Jantar já aconteceu!

Nossa proposta é sempre essa: receber, agregar e compartilhar, por isso o projeto tem dado tão certo! ♥

Dessa vez, nos juntamos a um casal que também ama receber e que comanda o Tá em Casa (insta: @taemcasarj) e vamos fazer uma edição MEGA ESPECIAL de DIA DOS NAMORADOS!!!

Vai rolar no dia 12/06 mesmo, aqui em Botafogo! Olha só o que vamos preparar:

  • welcome drink e snacks  
  • menu de 5 pratos harmonizados com 5 vinhos (entradas, pratos principais e sobremesa)
  • água, café e surpresinhas incluídos!
  • 245,00 por pessoa (água, café e todos os vinhos incluídos!)
  • Confirmação de presença mediante depósito bancário
  • Contatos: projetojantar@cozinhologoexisto.com / taemcasarj@gmail.com / (021) 999960655

Ficou curioso? Olha só o que já rolou em edições anteriores:

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Panelinha de ovo com cogumelos


Em tempos tao corridos, em que a gente não olha nem pro outro e nem pra gente, texto de um dia em que eu olhei.

Pra desacelerar, fazer pensar, olhar e ouvir (dentro e fora).

E voce, o que anda atropelando?


Assim que abro a janela, escuto os barulhos da rua.

Carros, oficinas, criança chorando. A sinfonia desarmônica das dez.

Paro, respiro e escuto.

Escrevi tres linhas e se foram dez minutos – nessa contemplacao de barulho.

A vida corre rápido.

Corre tanto que a gente esquece da medida.

O barulho de fora não da espaço para o barulho de dentro. Não respiro, nem enxergo.

Perco o que passou – perdi tanto que dez minutos viraram meio dia e olha, tenho que correr de novo.

Corro e escrevo, numa tentativa de recuperar os dias em que esqueci de respirar.

Quase me atropelo, mas as palavras estão aqui.

Por mais dias de escrita.


Conforto para corações apressados pede uma panelinha quente de ovos, torrada e cafe.

Essa foi assim.

Panelinha de ovo com cogumelos

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Serves: 2 Cooking Time: 10 min

Ingredients

  • 3 cogumelos shiitake fatiados
  • 2 ovos
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • fatias finas de queijo (usei um colonial, salgadinho)
  • sal a gosto

Instructions

1

Aqueça uma panela, adicione metade da manteiga e refogue os cogumelos rapidamente.

2

Retire da panela e reserve.

3

Na panela quente, adicione a manteiga restante, quebre os ovos, tempere com sal, adicione cogumelos, cubra com o queijo e tampe.

4

Abaixe o fogo, conte 1 minuto.

5

Desligue o fogo.

6

Respire, o queijo vai derreter.

 

 

 

 

 

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Polenta grelhada com cebola caramelizada

Atenção: esse post contém manteiga. E não é pouca. E deixou tudo incrível!

Eu não sei vocês, mas uma das coisas que grita “comfort food”, pra mim, é polenta molinha, molho de tomate, queijo e uma taça bem cheia de vinho. Se tiver frio, coberta e Netflix rolando, aí é pra dormir no sofá mesmo.

Pois então: fiz polenta, assim, desse jeitinho aí que eu contei. Mas eu fiz muita.

Pra não sobrar (polenta no dia seguinte nunca é a mesma coisa), tive a ideia de fazer uns crostini de polenta com cebola caramelizada (outra coisa que amo).

Minha receita de polenta já leva uma colherada de manteiga no final. Os crostini são grelhados na manteiga. E tem manteiga na cebola.

Se manteiga for item obrigatório, pode riscar o quadradinho de check!

Para caramelizar a cebola, você tem que abusar da paciência: demora, viu? Pelo menos uns 45 minutos – coisa que ninguém te conta. Como às vezes tenho preguiça, deixo a cebola murchar bem, adiciono um pouquinho de açúcar e observo a mágica da cor dourada aparecer. Muito amor, viu? Você pode fazer com ou sem açúcar, depende de quanto tempo tem disponível.

Uma coisa que já me perguntaram: devo usar fubá ou polentina?

A polentina é fubá de milho – mas já vem pré cozida. Ou seja, fica pronta mais rápido. Mas usando um ou outro, o segredo é fazer no fogo beeem baixinho e mexer de vez em quando.

Não precisa ficar chacoalhando o braço desesperadamente. Não precisa ver angu voar no exaustor. Abaixa o fogo, abre o vinho e relaxa, bem. ♥

Crostini de Polenta com cebola caramelizada

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Ingredients

  • 1 xícara de polentina (fubá de milho pré cozido)
  • 1 litro de água ou caldo de legumes (pode usar mais se achar que ainda está cru)
  • Sal a gosto
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • azeite para untar a assadeira
  • Para a cebola caramelizada:
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 2 cebolas cortadas em rodelas fininhas
  • uma pitada de sal
  • 1 colher de sobremesa de açúcar

Instructions

1

Ferva a água com o sal.

2

Abaixe o fogo e junte a polentina bem devagar, misturando sempre com um fouet (ou colher de pau).

3

Se empelotar, é só bater com um fouet.

4

Cozinhe em fogo muito baixo em panela tampada até que esteja cozida: ela vai engrossar, não pode estar muito líquida nem muito grossa.

5

Se precisar, adicione um pouco mais de água, misture com o fouet e volte a tampar a panela.

6

Quando estiver pronta, coloque uma colherada de manteiga gelada e despeje em uma forma pequena untada com azeite.

7

Cubra com plástico filme, leve para a geladeira e deixe endurecer.

8

No dia seguinte, corte em sticks e grelhe em manteiga em frigideira antiaderente.

9

Para caramelizar as cebolas:

10

Derreta a manteiga em fogo baixinho, junte as rodelas de cebola e o sal.

11

Deixe que elas cozinhem lentamente - cuidado para não queimar a cebola nas laterais da panela, puxe sempre para o centro.

12

Demora, viu? Pelo menos 45 minutos. Se você não tiver paciência, espere pelo menos a cebola murchar e adicione o açúcar: ele vai fazer com que ela fique bem douradinha e caramelizada.

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Salada de Couve-Flor com Laranja

Salada de couve-flor com laranja… Acho que essa é a primeira receita com couve-flor que publico aqui.

A maioria das pessoas ama, mas confesso que pra mim, couve-flor é sem graça, fede e tem uma cor feia.

MAS nem tudo está perdido e eu descobri o melhor jeito de cozinhar couve-flor!

Sozinha ou com cebola e laranja, como nessa receita, ela faz bonito e fica linda no prato ♥.

Sim, estou dando uma chance pro legume que eu menos gosto.

O negócio é besuntar os floretes de couve-flor em bastante azeite, salpicar tudo com cominho, sal e assar até dourar.

Achei bom no nível tive vontade de comer ele sozinho, tipo snack. Inclusive, dá pra deixar ela mais douradinha e crocante (amo!).

Além do crocantinho temperado da couve-flor, essa salada tem gomos de laranja , cebola roxa fininha e cebolinha.

Na hora de temperar, é simples: um fio generoso de azeite, sal e umas gotas de limão. Um peito de frango grelhado fecha um almoço lindão com essa saladinha aí! ♥

Salada de Couve-flor com Laranja

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Serves: 4

Ingredients

  • 1 couve flor (cortada em floretes pequenos)
  • azeite
  • cominho em pó
  • 2 laranjas (descascadas e cortadas em gomos)
  • 1/2 cebola roxa cortada fininha
  • ciboulette cortada
  • sal a gosto
  • limão

Instructions

1

Pré aqueça o forno a 200 graus.

2

Corte a couve-flor em floretes pequenos e distribua em uma assadeira.

3

Regue azeite, salpique cominho e sal (o legume deve ficar bem untado e temperado, não é pra usar meia xícara de cominho - mas todos os floretes têm que ter temperô).

4

Asse até que fique dourada.

5

Em um prato, misture os floretes de couve flor, a cebola, os gomos de laranja e a cebolinha cortada.

6

Regue com um fio de azeite, gotas de limão e uma pitada de sal.