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Como fazer Licor de Laranja e Café (Liqueur 44)

Bebo café desde antes dos 5 anos de idade.

Sentava na mesa e esperava minha xícara – que eu, sabiamente, adoçava a gosto -, recusando qualquer tentativa de “aliviar” o sabor com leite.

“Puro, mamãe.”

Pra mim, o café sempre fez muito sentido – e embora eu ache graça de todos os equipamentos que a gente foi adquirindo ao longo dos anos (prensa francesa, clever, balança, filtro sei lá da onde), confesso que eu gosto de café é de qualquer jeito.

E enquanto estudava harmonização de sabores, me deparei com laranja e café.

Casquinha de laranja com café sempre foi um hit na minha vida, então já fiquei animada.

Na sequência, um misto de sugestão de sabor/receita do que se chama Liqueur 44, que supostamente tem origem francesa.

Mas pode chamar de Licor 44.

A ideia era simples: 1 laranja. 44 grãos de café. 44 cubos de açúcar. Álcool. 44 dias. E pronto.

Simples pelo simples, decidi fazer na mesma hora.

Se ficará bom, saberemos em 44 dias.

Usei cachaça, #brazilianway. Quem me acompanha?

Licor 44 (Liqueur 44)

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Ingredients

  • 1 laranja
  • 44 grãos de café
  • 44 cubos de açúcar (pode usar 1 xícara e meia)
  • 1 litro de cachaça (ou outro álcool disponível)

Instructions

1

Lave e seque a laranja.

2

Com uma faquinha afiada, faça 44 furos na laranja e enfie 1 grão de café em cada furo.

3

Coloque em um pote a laranja, o açúcar, complete com o álcool.

4

Em dias alternados, dê uma sacudida para se certificar que o açúcar está dissolvido.

5

Aguarde 44 dias.

6

Filtre o líquido e mantenha disponível em seu balcão para preparar bons drinks.

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Como fazer Crostini

Dias de receber gente em casa podem significar muita coisa. Dia de faxina, de trocar a toalha de mão do banheiro, afofar as almofadas da sala, né. E tem que ter comida. E bebida.

Diz aí: quem nunca correu no mercado mais próximo pra comprar umas garrafas de vinho, torrada, pastinha, colocou tudo na mesa, se sentiu O anfitrião e abençoou a invenção do Spotify?

Convenhamos: dá pra fazer uma festa com tudo isso aí, eu sei.

Sim, a vida pode ser assim.

 

É tranquilo, é ok. Mas pode ficar mais gostosa com um pouco de esforço – e no caso da combinação queijo, pera e nozes, até viciante.

Então levanta da cadeira e começa a fazer crostini (excelente receita pra desovar algum ingrediente que você não tá sabendo lidar)!

Crostini: italiano para torradinhas com pastinha ou todas as coisas gostosas que você tiver em casa.

Acho um dos melhores aperitivos pra quando você vai receber gente – fica bem bom com vinho ou Spritz! Aliás, ando falando tanto dele que tô considerando postar uma receita, foi o que eu mais bebi quando morei na Itália ♥.

Óbvio que eu vou adorar se você fizer essas sugestões daqui, mas fique à vontade para variar os ingredientes e usar as coisinhas gostosas que você tiver em casa. Cozinhar de forma inteligente e sustentável é usar o que a gente já tem, sem desperdiçar e aproveitando tudo.

Peras, hortelã, cebola roxa e nozes. Hortelã da horta, pimenta calabresa e mel do armário de temperos. Queijo cottage – poderia ser um outro que você preferir.

Nesse dia usei pão de forma – era o que tinha em casa, então fazia todo o sentido usar!

Tirei a casca pra deixar mais fofo, mas não joguei fora: piquei em cubos, temperei com azeite, sal, pimenta e tostei no forno – vira crouton pra uma salada, é só guardar num pote bem fechado.

Hoje não tem bem receita – na verdade vou colocar a lista de ingredientes na caixinha de sempre e quero muito que você solte a criatividade e faça sua própria comida – ao invés de comprar torrada pronta e pastinha mais ou menos.


Pra deixar essa receitinha mais animada, tem playlist do Projeto Jantar aqui na lateral do site! ♥

Usamos essa playlist em uma das edições – quem foi, com certeza vai lembrar! Cada edição é única e como amamos receber e cozinhar, a gente pensa em cada detalhe – a música não podia ficar de fora, né?

Se você ainda não conhece, o Projeto Jantar surgiu esse ano e tem sido uma série de jantares (e alguns almoços) que a gente tem feito – vamos fazer a última edição de 2017 aqui no Rio, em uma casa linda em Botafogo!

Pra saber mais, entra em contato com a gente pelo email projetojantar@cozinhologoexisto.com

Na página do Projeto Jantar vocês podem ver algumas edições e saber mais sobre o que a gente faz. ♥


 

E aí, vamos de crostini? Quer muito saber como vocês fizeram!

Crostini

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Serves: 4 Cooking Time: 30 minutos

Ingredients

  • 8 fatias de pão da sua preferência
  • 1/2 xícara de queijo cottage
  • 1/4 de cebola roxa
  • pimenta calabresa a gosto
  • folhas de hortelã
  • 1/2 pera
  • 4 nozes
  • mel a gosto
  • azeite de oliva
  • sal
  • pimenta

Instructions

1

Corte as fatias de pão em quartos ou triângulos e leve ao forno a 180 graus até tostar bem, dos 2 lados.

2

Aproveite o calor do forno e coloque um punhado de nozes para tostar também - só até perfumar a casa, cuidado para não queimar!

3

Enquanto isso, corte a cebola e a pera em fatias bem fininhas.

4

Retire o pão do forno e coloque 1 colher de chá de queijo cottage em cada torradinha.

5

Comece a montar os crostini:

6

1) Crostini de cebola: fatias de cebola, hortelã rasgada, pimenta calabresa, sal e azeite.

7

2) Crostini de pera: fatias de pera, um fio de mel, nozes partidas (com a mão mesmo), sal e pimenta do reino moída na hora

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Panquecas de laranja (com cobertura absurda de laranja)

Há alguns anos, costumava fazer muitas panquecas para o café da manhã! Daquelas americanas, bem fofinhas altas e gordas.

O mais comum era comer com manteiga, geléia ou mel – já que maple syrup sempre foi caro e raro por essas bandas.

Eu não sei vocês, mas acordar com panqueca no café da manhã de domingo dá uma sensação de coisa boa (óbvio, as panquecas são deliciosas), mas pelo menos comigo, me coloca num mood mais festivo. ♥

Se o seu mood for tão festivo quanto o meu, fica a dica: panquecas pedem uma tacinha de Mimosa!

Pra fazer Mimosa, você precisa de 1 taça de espumante, metade de suco de laranja e a outra metade de espumante.

Mais simples que fazer panqueca, mas foca na receita, gente.

Esqueça maple syrup, esqueça geléia e faça essa cobertura que é absurda de boa! Dá pra fazer com cream cheese ou com iogurte grego: o importante é ter um pouco de acidez pra contrastar com o leve adocicado da massa.

Não sabe fazer panqueca? Não tem mistério, é só lógica.

Panquecas exigem uma mistura de secos e uma mistura de líquidos. Nos secos entram itens como farinha, açúcar, fermento. Nos líquidos, manteiga derretida, ovos, leite…

Basicamente você tem que misturar ingredientes secos em um pote, ingredientes líquidos em outro, juntar tudo e começar a usar a frigideira.

Importante: o antiaderente tem que estar em dia.

Nada mais irritante do que lidar com massa grudada em tudo (panela, espátula) e ingredientes jogados no lixo.

Essa panqueca é aromatizada com laranja (esqueça essência de baunilha artificial – eca), vai por mim e usa raspinha de laranja – fica delicioso até dizer chega!

Outra dica de ouro: a primeira panqueca provavelmente vai grudar na frigideira/queimar/ficar crua.

Não sei o que acontece – acho que a primeira panqueca que entra na frigideira a gente deixa pro santo, mas ó: não desista, dá uma limpada na frigideira com papel toalha que as próximas geralmente ficam ótimas!

Ainda dá tempo pra fazer nesse domingo – eu sei que você acordou tarde, viu?

Panquecas de laranja (com cobertura absurda de laranja)

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Serves: 3 Cooking Time: 30 minutos

Ingredients

  • Para a massa:
  • 1 1/4 xícara de farinha de trigo
  • 2 colheres de sopa de açúcar
  • 2 colheres de chá de fermento
  • 3/4 xícara de leite
  • 1/4 xícara de suco de laranja
  • 2 ovos
  • 2 colheres de sopa de manteiga amolecida
  • 1 colher de sopa de raspas de laranja
  • Para a cobertura (opcional):
  • 3 colheres de sopa de cream cheese (ou 6 colheres de iogurte grego sem açúcar)
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 1 colher de sobremesa de raspas de laranja

Instructions

1

Em um bowl, misture a farinha, o açúcar e o fermento.

2

Em uma jarra (ou copo alto) misture o leite, suco de laranja, ovos e a manteiga.

3

Misture os líquidos aos secos, adicione raspas de laranja e misture bem.

4

Faça a cobertura: misture os ingredientes e reserve.

5

Em seguida, unte uma frigideira antiaderente com um pouco de manteiga e despeje colheradas de massa.

6

Quando a massa ficar cheia de bolhinhas, é hora de virar - em fogo médio para baixo, aguarde cerca de 1 minuto.

7

Tire quando estiver dourada dos 2 lados.

8

Sirva com frutas frescas, a cobertura e mais raspilhas de laranja.

 

 

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Como fazer Risotto: um guia essencial pra não errar

Não é segredo pra ninguém que eu amo arroz. Também não é segredo que eu amo risotto.

Mesmo antes de ir pra Itália estudar cozinha italiana, já procurava melhorar mais e mais. De lá, voltei ainda mais apaixonada por todo o processo e com mais curiosidades sobre o jeitinho italiano de fazer arroz!

Então, seguem aqui minhas dicas essenciais pra fazer um risotto mara e não comprar gato por lebre!

  • O Arroz.

A cremosidade vem da quantidade de amido (amilopectina) que é liberada pelo grão de arroz, que no calor das panelas e no meio de tanto líquido mexido sem parar, forma aquele creme maravilhoso.

Pois é, a cremosidade do risotto vem do amido do arroz – e não do creme de leite.

Não, “risoto à piamontesa” (WTF?) não é risotto, não é um prato tipicamente piemontês e SEQUER vem da Itália. Arroz agulhinha que fica cremoso com creme de leite e leva champignon em conserva é cilada, Bino.

Usar um determinado tipo de grão pra fazer risotto não é frescura. Tanto líquido, tanta mexeção de panela pedem grãos resistentes e com muito amido. Então é isso: o grão tem que ser resistente pra não quebrar enquanto você agita o arroz loucamente e ter muito amido que é pra ficar cremoso #real #oficial.

Os grãos mais conhecidos pra isso são: arborio, carnaroli ou vialone nano.

Arborio – maior, menos resistente e com menos amido;

Carnaroli – ligeiramente menor que o arborio e contém mais amido;

Vialone nano – o menor dos 3, é o grão mais resistente e que contém maior teor de amido.

Nessa foto: carnaroli

Curiosidade: morei no Piemonte (daí minha aflição com o tal “risoto à piamontesa”), em uma região na Itália em que também se usou, tradicionalmente, uma outra variedade de arroz – mais raro e não tão economicamente viável como os outros, que chama Riso Maratelli. Ele foi muito usado pra fazer um prato que chama Panissa Vercellese (QUASE UM BAIÃO DE DOIS ITALIANO – é um misto de arroz, feijão, lardo e salame piemontês, MUUUITO bom). Essa variedade chegou a deixar de ser produzido – e depois voltou a ser produzido por uma família no Piemonte, em Asigliano Vercellese (Vercelli é O lugar de produção de arroz na Italia, aliás, é referência na Europa inteira, são muitos produtores e variedades diferentes – cada uma delas diz que é A MELHOR pra fazer risotto e entre italianos, essa é uma discussão que pode levar uma vida).

Na boa? Para fazer risotto em casa, vai de Arborio. Costuma ser o mais barato e é  bom para risotto. Esses detalhes de grão mais ou menos resistentes são importantes mais em uma operação de restaurante do que para quem só cozinha em casa.

Importante: mães e avós têm licença poética pra fazerem arroz de forno até com arroz agulhinha – e ai de quem disser que está errado.

  • Cebola e temperatura.

Na Itália aprendi que tem alguns métodos diferentes de fazer risotto. Testei alguns, mas o que eu mais gosto continua sendo o básico: a cebola deve ser cortada bem pequenininha, o menor que você conseguir, e refogada em baixa temperatura.

Isso faz com que ela fique um pouco adocicada, transparente. Assim  ela cozinha, não ganha cor e deixa seu arroz muito saboroso. Eu amo!

  • Tostatura: não queime o arroz!

Essa amolecida na cebola – onde ela perde crocância e acidez – é essencial para o próximo passo, que é tostar um pouquinho o arroz.

Na Itália se fala justo assim: tostatura, que nada mais é do que manter o arroz com as cebolas no fogo – agora médio – mexendo sempre, para que não queime.

Essa etapa é essencial para conservar a unidade dos grãos e render um risotto lindo, sem que os grãos arrebentem ou amassem durante o cozimento. Ele fica meio translúcido por fora, mas você ainda vê o interior bem branco.

Esse processo dura uns 3 minutos – e ao menor sinal de que as cebolas ou o arroz estão pegando cor, retire a panela do fogo e continue mexendo rapidamente. Mais uma vez: nada aqui deve ser dourado.

  • Vinho: como se bebe, e sem miséria!

Me dá até tristeza ver o tanto de gente que usa bebida ruim pra fazer comida. Pelo amor, usar vinho passado é um crime. Se você faz isso tá na hora de pensar no preço do Grana Padano e começar a rever os seus conceitos. Na dúvida, Sauvignon Blanc ou Chardonnay funcionam lindamente.

Seja generoso com o Risotto: sirva para ele uma bela taça do vinho branco que você beberia, na temperatura correta.

Traduzindo: não seja miserável com o vinho e use vinho ge-la-di-nho. Isso ajuda a abaixar um pouco a temperatura da panela – você acabou de fazer a tostatura, o negócio está quente e correndo o risco de dourar. Nesse ponto, comece a mexer e só vá para o próximo passo quando o vinho evaporar.

  • A base: O Caldo.

Como toda comida boa, o segredo de um Risotto incrível está nos ingredientes. E no caldo, que deve estar fervendo – nada de usar caldo frio e abaixar a temperatura da panela, ok?

O caldo deve ser adicionado aos poucos, sem afogar o arroz, mas também sem nunca secar na panela – olho vivo! E sim, o caldo que você usa faz toda a diferença. Se for fazer um prato com funghi, aromatize o arroz com um pouco do caldinho em que você hidratou os cogumelos, ou se for de legumes, use o legume principal no caldo… construa o sabor! Não vamos entrar na polêmica de caldo industrializado aqui: já fiz post sobre como fazer Caldo de Legumes Caseiro (aliás, é o campeão de acessos do site!), se você ainda não leu, corre que ainda dá tempo!

A receita do caldo de legumes caseiro você encontra aqui no site, é só clicar na imagem aqui embaixo:

 

  • Mantecatura: um ato de amor.

Arroz al dente (pra mim, quanto mais firme, melhor), queijo maturado (Grada Padano é vida aqui), manteiga sem sal e aquela agitada linda na panela (se você tiver medo de se queimar, usa um fouet que tá tudo certo e seu risotto vai ficar foda): a gordura, aliada ao amido e ao caldo que ainda está na panela vão se juntar, emulsionar e fazer aquele movimento lindo. Risotto bom é risotto all´onda, daquele que se espalha no prato e dá pra comer de colher. ♥

Sim, tem algumas receitas que são mais estruturadas, mas minha preferência é all´onda, elegantemente delicioso.


Quem aí vai fazer risotto hoje? Deixem sua receita preferida nos comentários (vale risoto de vó, viu?)!

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Como escrever uma receita

Uma receita não tem como saber a qualidade dos seus ingredientes. Aliás, a maioria delas não diz nada sobre isso. Você é o responsável pelos ingredientes que escolhe – e pelo que vai fazer com eles.

Uma receita não sabe da sua aptidão para a cozinha, o que você tem vontade de comer, quem quer impressionar.

Uma pitada de sal é tão vago quanto sal a gosto, e isso tem uma razão.

Uma receita não sabe se suas papilas gustativas têm mais ou menos sensibilidade, por isso é tão difícil dizer quanto de sal. Ou de pimenta.

Receitas não são verdades absolutas. Elas levam em consideração um determinado momento criativo, com humores e ingredientes diferentes do que você pode encontrar quando, enfim, decidir cozinhar.

A batata doce que eu uso não é a mesma que você usa pra fazer o pãozinho de batata doce. O azeite é outro. O forno é diferente. Minhas mãos são enormes, e as suas, mais delicadas – nossa pitada de sal é diferente.

E tá tudo bem.

Quando eu crio já imagino essas variáveis. Elas são naturais. Você precisa saber disso. Saber que não vai ficar igual, pois quando eu coloco no mundo e você cozinha, ela passa  ser sua. E como ela é sua, ela pode ser do jeito qie você quiser.

Assuma a responsabilidade por todas as mudanças que você fizer – mas faça.

Pra escrever e pra mudar, o que uma receita quer da gente é coragem.

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Como fazer salmão grelhado e couscous marroquino

Couscous marroquino é o prato ideal para quem quer impressionar mas não sabe por onde começar: legumes crus, ervas frescas e tudo o que você precisa saber de verdade é como ferver água.

Tá achando que é brincadeira? Vai lá na receita pra você entender. Mais fácil do que isso, só tendo quem faça por você.

Se o crush for vegano e você realmente não souber cozinhar, vai de couscous que não tem erro!

Como aqui a gente gosta de botar a mão na massa, o negócio é preparar o couscous e um peixinho junto!

Nessa receite optei por usar salmão. Como ele é um peixe mega gorduroso, o ideal é fazer um acompanhamento bem fresco.

Não precisamos de desculpa pra beber por aqui, mas se for o caso, pode dizer que o vinho ajuda a limpar o paladar entre uma garfada e outra!

Um leguminho daqui, uma erva picada dali e pronto. A gente ferve uma água com uns temperos pra já ir temperando o couscous. Não é porque a receita é meio preguiçosa que a gente não pode caprichar nos detalhes, né?

Pra mim, os detalhes são a alma da receita. Eles vão desde a forma como você constrói os sabores até a forma como você trata os ingredientes – seja quando lava, cozinha e até mesmo quando corta.

Já falei isso em outras receitas (na receita de Tabule Tropical e na Salada de Arroz Selvagem), e vou repetir:

Quanto melhor e mais uniforme o corte, mais bonita a comida fica, então faz um esforço aí e arrasa nos cubinhos!

Agora você já ferveu a água, já cortou os legumes, o cuscuz já esfriou… a gente mistura tudo e dá uma super temperada.

Um peixe fresco descomplicado coroa esse almoço:

É grelhar com azeite dos 2 lados e temperar com pimenta e sal.

Evite ficar mexendo no peixe enquanto ele está na frigideira para que ele não quebre: vire apenas uma vez, e somente quando estiver levemente dourado.

Servido por cima do couscous… só falta mesmo a tacinha de vinho e ser feliz! ♥

Salmão grelhado e Couscous Marroquino

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Serves: 2 Cooking Time: 25

Ingredients

  • -- Para o couscous:
  • 1 xícara de couscous marroquino
  • 1 xícara de água
  • 1 folha de louro
  • 1 anis estrelado
  • 3 bagas de cardamomo
  • 1/2 cebola roxa picada
  • 1/2 pimentão vermelho picado
  • uma mão cheia de folhas de hortelã
  • 1 limão siciliano (raspas e suco)
  • sal e pimenta do reino
  • 4 colheres de sopa de azeite
  • -- Para o salmão:
  • 400 gramas de salmão fresco
  • sal e pimenta do reino
  • 1 colher de sopa de azeite (salmão)

Instructions

1

Corte a cebola e o pimentão em cubinhos pequenos.

2

Corte as folhas de hortelã em tirinhas finas.

3

Ferva a água em uma panela pequena com uma pitada de sal, louro, cardamomo e o anis estrelado.

4

Assim que ferver, apague o fogo, despeje o couscous, tampe e aguarde até que os grãos absorvam toda a água.

5

Resista à tentação de futucar o couscous, deixe quieto por pelo menos 8 minutos.

6

Solte o couscous com um garfo, retire o louro, cardamomo e o anis e deixe esfriar.

7

Aqueça uma frigideira antiaderente, unte os filés de salmão de ambos os lados com azeite, tempere com sal e pimenta e grelhe aproximadamente 3-4 minutos de cada lado, até ficar bem dourado.

8

Misture o couscous com a cebola, pimentão, hortelã, raspas e suco de limão.

9

Tempere com sal, pimenta, azeite e misture bem.

10

Sirva o salmão sobre uma porção de couscous.

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Crumble de Frutas Vermelhas

Uma das coisas que mais gosto em fruta vermelha é a acidez.

Morangos, amora, pitanga, framboesa, jabuticaba… são sempre incríveis!

Apesar do paladar brasileiro ser mais chegado em um doce beeem doce, tenho experimentado muitas sobremesas com bastante acidez.

Aqui no Brasil a gente tem o costume de fazer muitos bolos com frutas cítricas, bananas e abacaxis. Fora a tradicional cuca de uva do sul, assar frutas vermelhas é algo um pouco raro.

Poderíamos comer puras, poderíamos fazer um suco. Dessa vez, resolvi assar – e pra equilibrar tanto frescor, é bom assar frutas negras e vermelhas com um pouco de açúcar e muita, muita crocância:

As amêndoas dessa receita são um golpe de mestre: tem açúcar, tem acidez, tem crocância e o sabor de tostados que vai fazer você querer repetir esse crumble.

Se preferir, use castanha de caju – o amendoim e a castanha do pará vão deixar o sabor muito intenso e esconder as frutas dessa receita.

A cor desse crumble é uma coisa de louco! Olha isso:

Para evitar que ele grude muito no fundo da forma e tudo vire uma meleca, costumo forrar com 1/3 da mistura, colocar as frutas e depois cobrir com a farofa restante:

Com o calor do forno, as frutas explodem e se juntam à parte de baixo. Por cima, a crocância. Nem precisa dizer que a cor das amêndoas e da aveia fica incrível, né?

Sobre repetir: não só pode como deve.

Dica: deixe ele esfriar um pouco antes de partir, isso faz com que a bagunça seja menor. Mas crumble que é crumble faz sujeira, solta farofa e deixa a vida mais doce.

Enjoy! ♥

Crumble de Frutas Vermelhas

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Serves: 6 Cooking Time: 1 hora

Ingredients

  • Recheio de frutas vermelhas:
  • 2 xícaras de frutas vermelhas (morangos, framboesas, mirtilos, pitangas, amoras ou jabuticabas sem caroço)
  • 2 colheres de sopa de açúcar
  • Crumble:
  • 2 colheres de sopa de manteiga gelada
  • 1/3 de xicara de farinha de trigo ou amido de milho
  • 1/4 de xícara de açúcar
  • 2 colheres de sopa de aveia grossa
  • 1/4 de xícara de amêndoas em lascas finas (pode usar amêndoa picada)

Instructions

1

Pré aquecer o forno a 180º.

2

Misturar as frutas e o açúcar em um bowl. Amassar levemente, misturar bem e reservar (isso faz com que as frutas soltem um pouco do suco junto com o açúcar).

3

Em outro bowl, misturar farinha, açúcar, aveia, manteiga e metade das amêndoas até formar uma farofinha.

4

Em uma forma pequena de bolo inglês (ou outra forma pequena que você tenha em casa), coloque 1/3 da mistura do crumble.

5

Cubra com as frutas.

6

Coloque os 2/3 restantes e o resto das amêndoas, deixando tudo bem lindo.

7

Asse até o crumble ficar dourado e maravilhoso.

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A Granola da Manu

Muito feliz de poder retomar projetos meus, nos quais acredito tanto! Um dia criei um produto – a granola que eu sempre quis comer.

Ela tinha que ser gostosa, crocante, cheia de fibras, castanhas, e o mais importante: ter sabor, entregar alegria. Foi incrível poder passar por outras cozinhas, trabalhar com outras pessoas, aprender outras técnicas e poder melhorar o que eu já amava de paixão: o croc croc dos meus potinhos!

 

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  • Tradicional (mix de especiarias, sementes, côco e amêndoas)
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Pãozinho de batata doce

Super parecido com o tradicional pãozinho de queijo (naturalmente sem glúten), é mais econômico e sem lactose!

Essa receita saiu diretamente do meu Ebook, o Receitas de Alegria!!! Se você ainda não baixou, é só clicar no livrinho aqui embaixo ♥

O essencial, aqui, é conseguir um bom polvinho azedo – quanto mais fresco, melhor – e deixar o purê de batata doce bem lisinho.

Essa receita pode ser feita com ervas, pimentas, pode usar outro tipo de batata… quando fizerem, usem a #cozinhologoexisto no insta!! =)

Fez? É só colocar no forno,esperar o cheirinho invadir a casa, passar um café e correr pro abraço – ou melhor, pra mesa!

 

Pãozinho de batata doce

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Serves: 24 pãezinhos Cooking Time: 1 hora

Ingredients

  • 1 xícara de polvilho azedo
  • 1 xícara de purê de batata doce (passado pela peneira)
  • 3 colheres de sopa de azeite + suficiente para untar a assadeira
  • 1 colher de chá de sal
  • água do cozimento da batata doce (para dar liga na massa)

Instructions

1

Pré aqueça o forno a 180 graus.

2

Misture o purê de batata doce com o sal e o azeite.

3

Adicione o polvilho azedo aos poucos, misturando bem.

4

Caso seja necessário, adicione aos poucos água do cozimento da batata doce, até obter uma massa bem macia e que não grude nas mãos.

5

Unte uma assadeira de mini muffins ou faça bolinhas com a massa.

6

Leve ao forno e asse até que a massa esteja bem dourada.

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Le Grand Aïoli: cozinhando como os franceses

Apaixonei pela Provence em uma viagem, em que ficamos na casa de amigos que moram lá há muitos anos. Um deles é, como todo bom francês, fissurado por Gastronomia e me deu várias aulas sobre hábitos, produtos, jeitos de cozinhar e utensílios usados por lá.

Vide abaixo, em uma cozinha tipicamente provençal: balcão de azulejos, alho da Córsega – gigante, forte, delicioso- , fleur de sel – flor de sal -, persil – salsa, guardada sobre o balcão em um copo com água – e a tradicional faquinha Opinel, adorada por 10 entre 10 franceses (e essa brasileira aqui).

Sim, é pra morrer de amores e querer mudar amanhã.

Pois então. Cheguei e a primeira coisa que provei foi um Grand Aïoli.

PÁ.

Bacalhau, mexilhões, escargot (SIM), polvo, todos os legumes possíveis e um molho sensamara… pensem numa maionese gorda, fresquíssima, cheia de alho e azeite pra ir comendo com tudo que aparecer na sua frente, incluindo uma bela fatia de pão pra limpar o prato no final #vaigordinha #nafrançapode #caloriasdeviagemnãocontam

Os ingredientes são super frescos e o molho é o ponto alto desse prato: mais francês, impossível!

A quantidade de ingredientes assusta, mas sabem? O legal é cozinhar tudo com antecedência – e deixar guardadinho na geladeira.

Vamos parar com essa mania de achar que é tudo difícil, trabalhoso ou impossível. Quem aí nunca cozinhou ovo, cenoura, beterraba e batata num domingo à noite pra comer durante a semana? Mesmo processo por aqui, e ainda rola um vinho pra comemorar a receita que deu certo.

Essa é a receita mais longa e cheia de detalhes/passos que já postei por aqui. Ao mesmo tempo, é tudo “muito simples”: bons ingredientes e um molho cheio de personalidade são suficientes para esse prato, que fecha lindo com um Rosé bem geladinho. Se for da região, é ainda melhor!

O post de hoje é assim, pra gente sentir um pouco da Provence dentro da nossa casa e pra eu matar um pouco da saudade: os panos, as madeiras e as louças vieram todos direto de Arles, cidadezinha mítica, cheia de charme e um clima que pedem Rosé gelado, pés descalços e dias de sol.

Então coloca aquele vinho pra gelar e já pra feira!

Pela foto inicial já deu pra perceber que esse prato é cheio de ingredientes vegetais, não é?

A fartura dos vegetais dá o tom, e você não precisa ficar preso aos legumes dessa receita. Importante, mesmo, é que os legumes estejam al dente. Nem crus, nem molengas: crocantes, no ponto!

Arrisco a dizer que essa é a parte mais difícil: cozinhar os legumes no ponto certo. Como tudo na vida, não tem jeito: treino e repetição. Abobrinha molenga é uma das piores coisas da vida, então olho vivo!

Esse prato pode começar a ser preparado no dia anterior: os ovos e todos os legumes já podem estar cozidos, e você só precisa ferver o bacalhau, os frutos do mar que encontrar ou quiser adicionar  e preparar o molho.

Quem não come carne pode fazer uma versão vegetal que também fica incrível. A ideia é manter o sabor dos legumes o mais puro possível, porque o sabor do molho já é um pancadão: eles são cozidos em água com sal, apenas. Eu gosto de adicionar sal, talo de salsa e um pouco de vinho pra cozinhar o bacalhau, o polvo e os mexilhões.

Sobre o molho: gemas, azeite, alho e sal:

Quase uma espécie de maionese, assim, beeeem cheia de alho. No fim, dá pra colocar um pouco de suco de limão, que eu acho que faz toda a diferenç (o tradicional nem leva). Amarelinha – por causa da gema e do azeite. Linda, linda.

O preparo do Aïoli não tem mistério:

O alho tem que ser bem socado com um pouco de sal, para ajudar a virar uma pasta assim:

Depois, é só misturar o alho com as gemas e ir adicionando o azeite, batendo sempre com um fouet:

Um pouco de suco de limão depois e está tudo pronto pra servir!

Grand Aïoli

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Serves: 2 Cooking Time: 1 hora

Ingredients

  • 2 postas de bacalhau já dessalgado
  • 6 unidades de mexilhão (opcional)
  • 2 mini polvos (opcional)
  • 2 pedaços grandes de erva doce
  • 1 xícara de floretes grandes de couve flor
  • 1 cenoura pequena
  • 1 abobrinha pequena
  • 6 batatas bolinha
  • 1 beterraba pequena
  • 16 unidades de vagem francesa
  • 2 ovos
  • talos de salsa
  • sal a gosto
  • vinho branco (pra cozinhar e pra beber)
  • Para o Aioli:
  • 1 limão siciliano
  • 2 gemas
  • 4 dentes de alho
  • azeite

Instructions

1

Higienize todos os vegetais e descasque a cenoura.

2

Corte as cenouras, abobrinhas e a erva doce (funcho) em bastões.

3

Remova as extremidades da vagem francesa.

4

Cozinhe a abobrinha e a couve flor no vapor, cuidando para que a abobrinha não fique muito mole - é jogo rápido, 2 minutos e está no ponto!

5

Em outras panelas, cozinhe, em água com sal, os demais legumes até que fiquem al dente.

6

Sugestão de tempos de cocção (vai depender do tamanho dos legumes):

7

Erva doce - 30 segundos;

8

Vagem francesa - 2 a 4 minutos;

9

Batatas com casca - 10 a 15 minutos;

10

Cenoura - 6 a 10 minutos;

11

Beterraba com casca - 30 a 40 minutos (remova da água e reserve: só corte e retire a casca no momento de servir);

12

Ovos - colocar em água FERVENTE, preparar um bowl com água e gelo e contar exatos 10 minutos: tirar os ovos da panela, dar um banho de gelo e reservar.

13

Para cozinhar o bacalhau e os frutos do mar, preparar uma panela com água, um pouco de sal (pouco mesmo), talos de salsa e um pouco de vinho. O bacalhau deve ser cozido por uns 10 minutos; Os mini polvos, 30 minutos para ficarem macios; Os mexilhões, até abrirem (é jogo rápido, se não abrirem, descarte).

14

Para o Aïoli:

15

Descasque e retire o germe (broto) dos dentes de alho e comece a socar em um pilão, com uma pitada de sal, até obter uma pasta.

16

Passe as gemas pela peneira e misture com a pasta de alho.

17

Transfira tudo para um bowl e adicione o azeite em fio, até obter uma mistura com textura de maionese.

18

Adicione o suco de meio limão, ajuste o sal e sirva imediatamente.

19

Monte o prato com todos os ingredientes e o molho no centro: os ingredientes não precisam estar quentes, podem estar em temperatura ambiente.

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Molho de Tomates Assados

Molho de tomate é uma das receitas mais básicas que a gente pode fazer.

Simples, essa versão tem algo a mais: um pouquinho de defumado e uma concentração de sabor que só o queimadinho do forno pode fazer por você.

Os ingredientes são os mais simples possíveis: tomate, alho, cebola e azeite. Usar ervas é opcional – eu gosto muito e acho que faz diferença. Sou apaixonada por tomilho, por exemplo – e sempre incluo quando faço alguma coisa no forno.

 

Uma das vantagens desse molho é que ele fica super cremoso – o forno seca bastante os tomates e não fica aquela quantidade esquisita de água – tenho verdadeiro pavor de molho aguado.

Não tenha medo de deixar o tomate e a cebola darem uma queimadinha #realoficial: essa caramelização/queimação vai fazer toda a diferença no sabor, acredita.

O ponto é esse aqui:

 

Molho de Tomates Assados

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Cooking Time: 1 hora

Ingredients

  • 2 kg de tomates
  • 300 gramas de cebola
  • 6 dentes de alho
  • 1/2 xícara de azeite
  • galhos de tomilho
  • pimenta moída na hora
  • sal a gosto

Instructions

1

Pré aqueça o forno a 180 graus.

2

Corte os tomates e as cebolas em pedaços grandes - rústicos.

3

Unte um tabuleiro com metade do azeite, coloque os tomates, cebola e dentes de alho com casca.

4

Regue com o restante do azeite, distribua o tomilho e tempere com sal e pimenta.

5

Asse até que os tomates comecem a queimar levemente.

6

Retire os galhos de tomilho, descasque o alho e processe todos os ingredientes em liquidificador ou processador.

7

Quando for utilizar, adicione folhas de manjericão fresco: é opcional mas fica muito bom.

Notes

Esse molho pode ser congelado.

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Como fazer Cold Brew em casa

Quem ama café sempre acaba dando um jeitinho de degustar, mesmo no calor!

Não abro mão de um espresso, mas confesso que em dias de muito, mas muito calor, minha primeira opção é sempre um cold brew! Na Itália, em junho as temperaturas já estavam lá no alto, mas eu ainda precisava de uma dose de cafeína pra aguentar o tranco do dia…

Quando comecei a achar que o cold brew da cafeteria era muito caro, perguntei na maior cara de pau pro dono do café como ele fazia – e ele, fofo, me ensinou! ♥

Primeira coisa: cold brew não é a mesma coisa que iced coffee.

Cold brew é uma bebida gerada a partir de uma infusão em água fria: o grão é deixado em contato com água fria durante várias horas e ocorre transferência de sabor (teoricamente uma infusão envolve água quente, mas no cold brew a extração do sabor é feita assim, a frio – e quase ninguém usa o termo maceração).

Iced coffee é uma bebida feita com café obtido a partir de métodos quentes. Uma vez pronto, o café é resfriado. Coado, filtrado, espresso, french press… dá pra obter iced coffee a partir de qualquer um deles.

Segunda coisa: a moagem dos grãos não pode ser muito fina.

Se você usar o café já moído, procure por embalagens que tenham escrito: “prensa francesa”. É uma moagem um pouco mais grossa. Caso você use pós finos “tradicionais”, o café resulta troppo amaro – amargo demais. Eu amo amargo. Mas detesto amargos ignorantes, aqueles que não respeitam a harmonia dos sabores.

Para mim, o ideal é uma moagem assim:

Sobre moedores:

Eu uso um moedor da Hario que é muito, muito bom. Antes de comprar um, usava liquidificador. É chato pra controlar a moagem e tem que raspar com uma espátula depois, mas ninguém morre por causa disso.

Se não tiver um moedor de grãos, não desanime: para moagens mais grossas, vá de liquidificador e não se fala mais nisso. Falta de equipamento não pode ser desculpa, se a gente consegue se virar de outro jeito.

Dica: vá pulsando o liquidificador aos poucos para controlar o tamanho dos grãos. 

Nesse cold brew, usei grãos 100% arábica, de uma fazenda que fica em Senhora dos Remédios, MG: chama Cantagalo Cafés. Absolutamente delicioso. Foram 50 g de café para 600 ml de água, ou seja, uma proporção de 1:12 (1 parte de café para 12 partes de água).

Moí o grão, adicionei água, tampei a prensa francesa (sem apertar) e deixei na geladeira – depois é só apertar até o fim que o grão fica no fundo e o cold brew tá pronto.

Na Itália não tinha moedor, não tinha liquidificador, não tinha prensa francesa e nenhuma das minhas frescuras de fazer café. E aí? Comprava o pó mais grosso, misturava com água em um pote de plástico, deixava na geladeira e depois passava em coador de papel. Simples assim.

Aguardei 22 horas, mas se você for impaciente, pode coar a partir de 12 horas de descanso.

Depois de coar, guarde em uma garrafa ou pote bem fechadinho na geladeira. Dura umas 2 semanas (até mais), mas você vai acabar com ele bem antes disso!

Cold Brew

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Serves: 4 Cooking Time: 12 a 24

Ingredients

  • 50 gramas de café de boa qualidade
  • 600 ml de água filtrada

Instructions

1

Moer o café - moagem mais grossa, própria para french press.

2

Em um recipiente ou uma prensa francesa, misturar água fria e o café.

3

Tampar (se usar prensa, não apertar até o fim) e deixar repousar em geladeira por pelo menos 12 horas.

4

Ao término do tempo, coar o café até que não restem resíduos de grãos (no caso da prensa, basta apertar o êmbolo até o final e transferir o líquido para outra garrafa).

5

Manter conservado em geladeira por até 2 semanas.

Gosto de tomar puro, com bastante gelo. É uma bebida de baixa acidez – você vai sentir o sabor do café, aquele amargor agradável que “não ofende”, consigo tomar sem açúcar, acho divino!

Também funciona misturar com água com gás. Adoçar um pouco. Juntar hortelã. Canela. Fazer metade leite, metade cold brew… amo! ♥

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Itália, abobrinhas, maltagliati e uma receita de pasta feita em casa.

Depois de 3 meses sem postar nada – a não ser no instagram, voltamos à nossa programação (quase) normal com uma receita simples, mas que requer um pouco de muque se você decidir fazer à mão.

Estou morando na Itália nos últimos meses e, definitivamente, o que mais comi por aqui foi pasta fresca, risotto e insalata (saladas, várias, uma mais deliciosa que a outra).

Os legumes daqui. AH, OS LEGUMES DAQUI.

Assim que chegamos, fomos na feira livre da micro cidade que estávamos vivendo e fizemos um churrasco com mais legumes do que carne. Não precisava carne, viu? Só pão, azeite bom e os legumes na brasa. Ô delícia.

Bebi muito vinho, me apaixonei por uvas, ingredientes, lugares e modos de fazer as coisas.

Uma delícia, e como a internet era rara (e cara), acabei priorizando aprender.

Formas diferentes. Pessoas diferentes. Outras coisas, outros ingredientes, outros comportamentos – ainda assim, tudo muito bom.

Estou no Piemonte, norte da Itália, desde março. E por incrível que pareça, a primeira receita que chega aqui no blog não é do Piemonte. É italiana, mas da Emilia Romagna. Surgiu pra evitar que um certo excesso de massa fosse jogado fora.

Explico. Quando a gente faz pasta fresca, o ideal é que ela seja bem perfeita. Pra ter um tamanho quase idêntico na hora de cortar, a gente produz retângulos e retira as pontas irregulares da massa. Essas pontas irregulares são cortadas de novo, de qualquer jeito (daí surge o maltagliati – que literalmente significa “mal cortado”).

Nesse dia, fiz um teste de tagliatelle e aproveitei pra fazer maltagliati – a receita do tagliatelle é a mesma, só preciso confirmar quanto tempo ele dura depois de seco.

O maltagliati não precisa ser um “erro”. Ele pode ser o seu objetivo, se você quiser fazer essa massa. É uma delícia, o formato é fácil e fica incrível.

Fiz essa receita usando uma máquina de massa. A minha é da  Marcatto, tem para vender aí no Brasil. Dá pra fazer à mão, no rolo. Eu não faço porque não sou obrigada.

Sobre as abobrinhas. Quase entram na categoria do chuchu pra algumas pessoas, que juram que é  sem graça. Pra mim, é um dos legumes mais deliciosos. Aqui estamos na época, ou seja: TÔ FELIZ.

Quando está na estação, de verdade, tem uma doçura e uma complexidade que permitem que a gente coma crua. Muito delicada, mas cheia de sabor. Abobrinha redonda, amarela, verde, verde escura, curta, comprida (aqui chama zucchine trombetta, minha preferida).

Maltagliati com abobrinhas

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Serves: 3 Cooking Time: 2 horas

Ingredients

  • 200 gramas de farinha de trigo + extra para abrir a massa.
  • 2 ovos frescos
  • água para a massa (se necessário)
  • 2 abobrinhas pequenas cortadas em rodelas
  • uma mão de folhas de salsa picada
  • 1 dente de alho
  • azeite
  • suco de limão siciliano (opcional)

Instructions

1

Coloque a farinha em um bowl e faça uma cavidade.

2

No centro, despeje os ovos.

3

Fure a gema e - literalmente - enfie a mão na massa.

4

Amasse, amasse, amasse até obter um composto unido e macio, mas sem grudar nas mãos.

5

Caso você obtenha uma massa enfarofada, molhe as mãos levemente - LEVEMENTE - em água e vá misturando a massa, até que ela fique maleável e compacta.

6

Embrulhe em filme plástico e deixe em geladeira por 30 minutos.

7

Abra a massa aos poucos: enfarinhe a bancada e estique um pouco (à mão mesmo) e comece a passar na máquina, na abertura mais grossa (na marcatto, é o 0).

8

Dobre os dos lados formando um quadrado (um pacotinho mesmo), dê uma afinadinha com as mãos ou um rolo e passe de novo na máquina, até que fique bem uniforme.

9

Alisou a massa? É hora de começar a afinar. Vá passando, sempre na mesma direção, da abertura 0 até chegar na abertura 7.

10

Com uma faca afiada, corte a massa em pedaços "irregulares" (só não precisa ser uma azeitona X uma fatia de lasanha, faça da mesma grandeza).

11

Cozinhe em água fervente com sal - é importante salgar a água, pois a massa não tem sal.

12

Aqueça uma frigideira, adicione azeite e perfume com um dente de alho com casca (faz só um furinho, pra não ter o mesmo gosto do refogado da semana inteira hehehe).

13

Tire o alho, coloque as abobrinhas e dê uma salteada boa nos legumes, mas sem amolecer - tem que estar crocante.

14

Escorra a massa (SALVE UMA CONCHA DA ÁGUA DO COZIMENTO) e jogue imediatamente no refogado, junto com a concha de água e mais um chorinho de azeite, que é ótimo pra saúde.

15

Coloque o fogo no máximo e chacoalhe bem a panela, pra emulsionar azeite e água do cozimento.

16

Se quiser, tempere com um pouco de suco de limão, emulsione e quando a água secar quase toda, retire do fogo, salpique a salsa picada e sirva imediatamente.

Notes

Pra se organizar: enquanto a massa descansa, corte as abobrinhas, a salsa, prepare a frigideira, a panela pra cozinhar, coloque a mesa.