Lifestyle/ Vida com propósito

Dois anos de Cozinho, logo Existo: mais 365 oportunidades.


Dois anos amanhã, e muita coisa pra contar.

Escrevo esse post e finjo que não percebo a dorzinha chata em meus pulsos e em minhas pernas. Essa noite, esqueci da munhequeira antes de dormir; hoje, na cozinha,das meias de compressão.

Gênia.

Enquanto ainda sinto essas dorzinhas chatas – daqui a pouco me livro delas -, penso em como seria minha vida sem o “sacrifício”, cansaço, as exigências de estar dentro de uma cozinha, ainda que como estudante dentro de uma competição culinária – depois de apenas 1 ano estudando Gastronomia.

Haja quadradinho pra tanto momento especial, por isso hoje resolvi focar em como a gente pode ser ávido pela própria vida…

Comecei na Gastronomia “tarde”.

Comecei tímida, mas com muita vontade de acertar.

Comecei crua, mas já com medo de ter passado do ponto pelo tempo.

Comecei lenta, mas a quarta marcha veio em segundos, sem que me desse conta.

Em menos de um ano fotografei livro, vi o blog crescer em números, posts e carinho (de vocês), dei aulas coletivas maravilhosas, montes de aula particular, participei da edição Brasil da maior feira de gastronomia do mundo e consegui ganhar competição culinária na faculdade. =)

2 anos de cozinho logo existo


Quadradinho 4. Um mini projeto paralelo teve início: ajudar a arrecadar dinheiro para a Creche Santa Clara, mantida pela Casa de Francisco de Assis. Cozinhei um monte de gostosuras – tudo receitinha do blog e vendi tu-di-nho em um dos brechós organizados pela casa.

Teve brownie, bolo, pesto e pão caseiro. Tava incrível e se eu fosse vocês não pedia o próximo.

Joga amor pro mundo, ele sempre volta ♥


Olhem bem ali pro quadradinho 8, um momento muito especial em dupla: cheia de olheiras, cabelo de louca, cansada pra dedéu, mas com um sorriso que nem eu entendo.

Olho pra essa foto e só penso que eu precisava de um bom banho de banheira, massagem e um prato de comida.

Naquela semana, fiquei 2 dias à base de água de côco, passando mal com tudo: foi um breakdown com jeito e cara de intoxicação alimentar.

Quando a vida dá essas paradas, temos uma oportunidade incrível de repensar coisas, prioridades.

Ávida, é como sou. Quero tudo pra ontem, não me conformo com meio, quero inteiro, quero muito. Depois dessa semana, entendi que precisava meditar pra tentar domar essa fera que desabrochou de meu âmago, e que eu não quero que vá embora: ela me move, me inclina na direção de tudo o que tem feito muito sentido para mim.

Fico louca durante qualquer processo: criativo, de execução, é tudo o fim. Mas é só voltar aqui, parar cinco minutos e me lembrar da minha essência, do que me move, do que me trouxe por caminhos tão diferentes do que foi a minha vida.

Ávida, à vida. ♥


Quadradinhos 1, 3 e 9. Sim, eu como maçã no lanche, no carro, levo comida da boa dentro da bolsa – e dou conta de tomar uma cervejinha no final de semana. Sim, também corro, pulo corda, faço musculação em qualquer horário que eu encontre livre e que a preguiça não consiga me seduzir.

Adotei a corda pra vida, é um exercício extremamente dinâmico, cansativo e ainda ajuda a ficar esperta! A quantidade de chicotada que levei nos primeiros dias, revoada de cabelo e tropeços foram de dar dó, mas ó: se eu consegui, você também consegue!

Tomar uma cervejinha, pular corda e se alimentar bem: Equilíbrio, muito prazer.


Quadradinhos 2 e 5. Depois de dias de louça, ser mimada foi bom demais!

Sabem aquela piada? “Queria ser pobre só um dia na vida, porque todo dia é fogo”?

Pois é assim com cozinheiras e dia de princesa. Fiquei igual pinto no lixo, me sentindo, aliás, gostaria de avisar que estou aceitando jabás de drenagem linfática e massagem relaxante (competir é estressante!). Já quero mais eventos pra ganhar mega produção de diva – até que eu fico bonitinha arrumada de mocinha!


 Quadradinhos 6 e 7, minha última aula no Prosa na Cozinha – e um dos momentos mais especiais desse segundo ano, com uma energia incrivelmente boa.

É em momentos como esse que eu entendo como eu gosto de estudar Gastronomia, o fenômeno da Alimentação. Nessas horas me dá o click de como eu amo repassar informação pra quem tem interesse. Ah, que coisa linda.

Hoje entendo a paixão de um concurseiro por discutir teorias garantistas: essa sou eu com especiarias, técnicas, Michel Roux, Pollan ou McGee.

Tudo isso é gana, é sentir na alma um interesse sem fim, uma sede de conhecimentos que não acaba. Mesmo.

É ter, finalmente, encontrado uma coisa pra chamar de minha, um espaço em que posso ser eu mesma. Não é fácil não, viu? Fui me encontrar em um meio em que normal é não usar maquiagem (ANVISA LIBERA O BLUSH PFVR), manter as unhas rentes, dar glória aos céus pelas meias de compressão (homens e mulheres).

Me encontrei em um meio em que as pessoas não se admiram com programas de culinária. Não consigo mais ver graça em chefs que pegam uma sacolinha, rumam pro mercado e em instantes tiram uma receita da cartola. Menos de meia hora e a refeição está pronta, linda, a louça lavada e a família se reunindo ao redor da mesa exclamando vários “aahhh”, “ooohhh”, “huuummm”…

Tenho dias assim? Raríssimo, mas tenho. E dou graças quando eles acontecem.

Minha regra? Meu dia a dia? É ter muita louça pra lavar e muita combinação pra testar.

Testar o mesmo prato mil vezes sem direito a enjoar e encontrar as tais das nuances, sutilezas no sabor – afinal, a receita tem que funcionar. Isso é coisa de gente chata, profissional, que não vê a cozinha como um lugar pra aparecer.


 A família nem sempre come junta e na maior parte das vezes todo mundo torce o nariz para minhas receitas. Isso me desanima? Eu digo, repito e tripito que não, mas a gente sempre sente um pouco, né? Não sou a mulher de ferro e apesar de ter o paladar treinado para algumas coisas, saber que o que você faz não agrada a todos tem um peso.

Importante é não deixar o peso da opinião contrária te puxar para baixo: é apenas uma opinião.

Se eu fosse analisar do ponto de vista da Gastronomia mais “técnica”, então, acho que nem escreveria um blog. Não coloco aqui as técnicas difíceis ou chatinhas, eu extraio de tudo que aprendo a forma mais eficiente de facilitar nossa vida e entregar um resultado delícia.

Se Escoffier desaprova, isso não é problema meu. O meu trato, com os meus leitores, é colocar aqui o que faz parte do meu dia a dia.

Aliás, preciso fazer um parêntesis sobre receitas, testes, ingredientes e algumas coisas que têm chamado minha atenção nesse último ano.

Existe uma razão para minhas receitas serem, obrigatoriamente testadas: isso se chama responsabilidade. Colocar “receitinhas” na rede sem saber se elas funcionam é falta de respeito com o leitor, com o meio ambiente, é viver no mundo do faz de conta, em que se não deu certo é só jogar a comida fora.

Demoro a postar pois cada post é um projeto. Teste, execução, fotografia, edição – e se alguma coisa ficar ruim, NÃO VAI TER POST.

E antes de se sentir incompetente com alguma receitinha da internet, cheque ingredientes/passo a passo ao lembrar da máxima: imagens valem mais que palavras.


Não desperdice 2016, ele veio com cota extra: dessa vez serão 366 oportunidades.

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3 Comentários

  • Reply
    Thais
    12/02/2016 at 11:56 am

    Uau Manu!
    Arrasou, parabéns!
    Beijão
    Thais

  • Reply
    Taynah
    14/02/2016 at 2:55 pm

    Arrasou Mesmo Manu.

    Já fiz receitas, inclusive de comida saudável, de outros blogs que ficaram horríveis. Teve até bolo com gosto de pão. Uhauahuahuahauhauha. Na hora a gente se sente péssima, mas depois parte pra outra que dá certo.

    Gosto mesmo da cozinha testada, de ver que tem horas que dá certo e horas que nem tão certo assim.

    Obrigada por compartilhar e parabéns pelo tempo de blog!

    • Reply
      Manu
      20/02/2016 at 9:49 pm

      Taynah,
      Obrigada pelo carinho!
      Faço o blog que eu, como leitora, gostaria de ler!

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